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Apresentação:

Este blog é dedicado aos atuais e futuros idosos para que tenham uma vida mais feliz e menos complicada.
Minha mãe, Leda Rosin, escreveu textos e poemas com o objetivo de lançar um livro para ajudar o Asilo Padre Cacique de Porto Alegre, RS, mas não conseguiu patrocínio.
Criei este blog como homenagem para que seu trabalho não fique esquecido numa gaveta e para que ela se sinta feliz.
Este é um blog para todas as idades!



Esta turma respeita os idosos!

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Pra refletir... e muito!!!



IDOSOS: SÃO "UM SACO"?

Nossa sociedade pregou na blusa ou no suéter dos idosos uma etiqueta: "fora de moda, inútil, não serve pra nada".


Por que não protestam? Acaso não merecem um mínimo de gratidão e consideração da nossa parte?



Sem dúvida, a juventude deles ficou muito longe no passado, e já não têm forças para organizarem uma greve ou um golpe de estado. Vêem-se obrigados a se resignar e aguentar, pois não passam de anciãos. Que premiozinho, esta palavra!

Se você ler "La Celestina", uma pequena obra espanhola do século XV, vai tropeçar em frases que ao falar sobre a velhice se alternam com o cúmulo do pessimismo, um pessimismo made in século XX.

Aí vão algumas, como exemplo: "ambulatório de enfermidades, asilo de pensamentos, amiga de discórdias, chaga incurável, lenga-lenga depressiva, cajado de apoio, desonra do passado, desassossego do presente, encargo triste do futuro, vizinha da morte".

O autor exagerou um pouquinho, não acha? Parece mais um anúncio de escritório "Pró-eutanásia". Não constituirá maioria os que assim concebem a idade provecta? Pergunte aos seus vizinhos qual é a opinião deles.

Talvez não sejam apenas os seus vizinhos que pensem deste modo. Pululam pelas ruas e pelos bares anciãos contagiados por igual pessimismo.

Sim, estou me referindo a idosos que passam os seus dias consumidos de tristeza, sentados em algum banco de parque, ou de praça pública, com a sua bengala na mão, sem fazer nada, terrivelmente solitários.

Ou desses que consomem seus últimos anos jogando dominó, ou qualquer jogo como o de palitos ou de cartas. Não será a "gripe" do pessimismo a causa de inúmeras enfermidades, achaques e rugas interiores? Seria preciso inventar um "pessimismômetro". E receitar a esses velhinhos uma boa dose de otimismo.

Nossa sociedade pregou na jaqueta deles, ou no seu pullover, uma etiqueta: "fora de moda, inútil, não serve pra nada".

Às vezes não nos conformamos com isso e os despachamos para um asilo, para que não perturbem nem nos molestem mais. "São um fastio", diria o elegante de plantão.

Talvez nos tenhamos esquecido de que Goethe terminou seu segundo "Fausto" aos oitenta e três anos de idade; de que Verdi compôs o seu "Te Deum" aos oitenta e cinco anos; de que Tiziano pintou a "Batalha de Lepanto" aos noventa e cinco; de que o ficcionista Juan Rulfo escreveu sua obra-prima, "Pedro Páramo", aos setenta anos, de que dom Pepe, Jacinto e Ramón e ... tantos outros exemplos.

Aplique umas gotinhas de otimismo às suas considerações sobre a velhice e vai ver que maravilha representa cada ancião e cada anciã para a humanidade.

Até agora você vinha passando ao longe e ao largo deles, sem lhes prestar atenção, sem valorizar a carreata de traços dignos de admiração, gratidão e aplauso que os acompanha no ocaso da vida.

Fixe sua atenção nesses traços, ao menos por uns momentos.

A experiência de vida os enriqueceu, a muitos deles, de sabedoria, de bom senso e de profundidade em seus juízos de valor.

Com o passar dos anos eles se converteram em modelos de fidelidade ao amor, para tantos e tantos matrimônios destruídos ou a ponto de sucumbirem.

O tempo lhes ensinou a não dar tanta importância ao fugaz e passageiro, e a pensar mais na eternidade, na alma, em Deus.

Como assinalou Cabodevilla no seu livro "32 de dezembro": "Há uma porção de coisas muito apreciadas, às quais o tempo acrescenta valor: a prata, os violinos, o couro, as pipas, a madeira, o tabaco, os barris, a amizade".

E a vida do ser humano?

Não nos teríamos equivocado ao despachá-los para um asilo, ao repetirmos uma e outra vez: São "um saco"?










4 comentários:

LUCONI disse...

Nossa a Sonia Cidreira disse tudo, é exatamente assim que infelizmente acontece, muito bom você ter publicado, beijos Luconi

Anne Lieri disse...

Uma cronica perfeita e muito bem escrita pela Sonia Cidreira!Os idosos tem o direito de ser respeitados e amados!Bjs e bom final de semana!

Tunin disse...

A Cidreira pintou o fiel retrato do que acontece. Nossos idosos merecem todo o respeito. Eles nos antecederam e muito nos ensinaram. As leis precisam ser cumpridas.
Abração.

sonia disse...

Infelizmente precisamos de leis para cumprir com aquilo que seria a coisa mais natural do mundo: o respeito, a admiração e o carinho com nossos idosos.
Grande texto! Grande abraço!

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